Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
Como podem nossos filhos viverem sem limites?
Estudos da neurociência comprovam que o cérebro começa a ser formado no útero materno e conclui sua maturação por volta dos 25 anos, ou seja, é impossível que crianças e adolescentes sejam capazes definir o que podem ou não podem fazer sozinhos.
Sim, o exercício da escolha é importante para desenvolvimento da autonomia, contudo, cabe ao adulto decidir a qualidade das escolhas que a criança pode realizar.
A ausência de limites causa insegurança nas crianças que passarão a desenvolver comportamentos inadequados nas suas relações. Sentem-se perdidas, desorientadas, desorganizadas, quando não sabem o que é esperado delas.
As crianças precisam de limites claros e adequados a sua faixa etária, afinal, a moldura que definimos para uma criança de 2 anos, é muito diferente da moldura de uma criança de 8… ou um adolescente de 14, concorda? Devemos permitir, dentro dessa “borda” limite que criamos, o que a criança tem liberdade para fazer.
É fácil colocar limites? Claro que não. Muitas vezes, diante das regras, vamos cedendo aqui, ali, no cansaço, para evitar lidar com as frustrações e, quando percebemos, está tudo bagunçado.
Sem falar nas nossas questões inconscientes, que muitas vezes nos impedem de falar o NÃO necessário, relacionando o ato a mais ou menos amor, ou a famosa culpa materna: “Ah… trabalho tanto, ficamos tão pouco juntos e ainda vou ficar conflitando…?”
Contudo, não colocar os limites necessários no momento adequado, “retira” da criança/adolescente a oportunidade de aprender e lidar com a situação. Essa criança vai criando padrões de relação com o outro, que tornará mais difícil suas experiências nas próximas fases. Deixar para depois, que a vida ensine, não é justo com eles!
Mas então o que fazemos? Proibimos tudo?
A palavra é equilíbrio, bom senso. Nossas crianças precisam de limites claros e que seus desejos sejam acolhidos, respeitados, contudo, sem entregarmos a elas o poder de decisão.
Nossas crianças precisam ser alegres, felizes, mas não devem fazer só o que dá prazer o tempo todo.
É o enfrentamento das frustrações pertinentes a cada faixa etária que possibilita o crescimento.
Nossas crianças precisam de espaço/tempo para reelaborar suas experiências, consertar o que não deu certo, pensar em novas possibilidades!
O choro, o rosto sisudo, o mau humor, são respostas esperadas das crianças diante da frustração. Contribuiremos muito mais com seu desenvolvimento se as auxiliarmos a lidar com sentimentos intensos do que se mudarmos as regras, por entendermos que estão passando por sofrimento.
Está em nossas mãos! Vamos juntos?